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Mudança: Feira de Santana

Vista da janela do meu quarto

Faz um mês que mudei de casa e de cidade. Depois de três anos e meio em Cachoeira, resolvi experimentar Feira de Santana. O motivo para a mudança foram vários. Já estava cansado da monotonia de Cachoeira e de dividir casa. Além do custo do aluguel que lá é mais ou menos o mesmo que aqui.

De certa forma, é um retorno à vida que eu levava em Aracaju. Morar só num kitnet, ter uma varanda e uma ampla visão do céu. Falta ainda a praia perto…

Comecei a fazer natação e tenho descoberto as coisas que a cidade oferece. Pelo que vi, sempre tem peças de teatro e shows em barzinhos. Aqui perto de casa tem uma boa pastelaria. Há também um bar/café que parece ser interessante e uma pizzaria.

Como a cidade não é muito extensa e moro próximo ao centro, posso ir de bicicleta para quase todos os locais. O transporte público é bem ruim. Tenho tido dificuldade em localizar os pontos de ônibus, pois poucos estão sinalizados com placas. Outra coisa que dificulta é que os ônibus não tem aquela plaquinha na lateral indicando o roteiro. Felizmente, não dependo deles. Posso ir para a rodoviária pegar o ônibus para ir trabalhar em Cachoeira andando mesmo.

Dublin – Mobilidade Urbana

Bicicletário no centro da cidade

A mobilidade urbana em Dublin tem mais pontos positivos que negativos. Um ponto negativo é o custo alto do transporte público. O ônibus, o VLT (lá chamado de Luas) e o trem custam entre € 1,20 e € 3,60, dependendo da distância que você vai percorrer. Um trajeto do centro para um bairro afastado custa por volta de € 2,30. Sendo que a integração entre os sistemas de transporte público não é gratuita. Assim se precisar pegar um trêm e um ônibus, é necessário pagar duas passagens. Ouvi alguns colegas do curso reclamarem de atrasos dos ônibus também. O interessante é que há um desconto se você comprar o ticket de ida e volta. É possível comprar também tickets com desconto que dão direito a viagens ilimitadas durante uma certa quantidade de dias ou por um mês ou um ano inteiro.

Outro ponto negativo são os semáforos. O pedestre não tem prioridade na hora de atravessar a rua! O tempo de espera para abrir o sinal é muito grande e o semáforo só fica aberto pelo tempo suficiente para se atravessar a rua. Se você estiver a alguns metros de distância da esquina, quando o sinal abre, é provável que não consiga atravessar a tempo.

Estação das Dublin Bikes

O principal ponto positivo, por outro lado, é o estímulo ao uso de bicicletas. Há uma boa quantidade de ciclofaixas, ciclovias, bicicletários e um sistema de aluguel de bikes chamado Dublin Bikes (foto acima). Tentei alugar uma bike, mas não consegui, provavelmente porque eu não tinha limite suficiente no cartão de crédito para a taxa de garantia, que é cobrada quando a bike não é devolvida em 24h. O preço pelo uso das Dublin Bikes é muito bom. Você pode fazer um cartão que vale por um ano e custa €10. Quando você usa as bicicletas, a primeira meia hora é gratuita e depois há uma taxa de mais ou menos € 1,50 por hora. Assim, quem percorre pequenas distâncias não vai pagar quase nada, além de não ter que se preocupar com manutenção das bicicletas nem com a possibilidade de roubo. As estações das Dublin Bikes, por enquanto, estão mais presentes na parte central da cidade. Pelo que vi, o sistema é bastante utilizado. Perto do hostel em que eu fiquei, por exemplo, havia duas estações e no início da manhã era difícil encontrar bicicletas disponíveis.

Além das Dublin Bikes, existe uma outra iniciativa para estimular o uso de bicicletas chamado Cycle to Work. Não sei se entendi bem o funcionamento, mas é um programa que permite ao trabalhador comprar um bicicleta com abatimento de impostos e com o valor parcelado e descontado diretamente no salário.

O trânsito da cidade é seguro para se pedalar e há um número enorme de ciclistas pelas ruas. A Aiofe me contou que há muito furto de bicicletas, por isso, é comum ver bicicletas com duas ou até três travas nos bicicletários.

VLT (Luas) Dublin Bus

Além disso, o uso de carro é desestimulado pelas taxas de estacionamento que são cobradas em toda a cidade. Mesmo em cidades pequenas, como em Cavan que só possui três mil habitantes na zona urbana, é necessário pagar para estacionar na rua. Considero essa política bastante justa e necessária! Não cheguei a ver nenhum congestionamento lá…

Usei ônibus e o VLT apenas uma vez em Dublin e peguei o trem três vezes para ir em bairros mais afastados. Como a escola, o hostel e a maioria dos locais que visitei eram no centro da cidade, pude fazer tudo caminhando mesmo ou com a bicicleta que comprei lá.

Pra que(m) serve um viaduto?

Ontem a prefeitura de Aracaju inaugurou o viaduto do DIA, uma obra de mais de 14 milhões de reais feita com o intuito de melhorar o trânsito na região do DIA, que é onde se cruzam algumas das principais avenidas da cidade.

O trânsito ali realmente era ruim, porém, segundo dados da Infonet, 1200 novos carros entram nas ruas de Aracaju todo mês. Ou seja, o viaduto só faz adiar o problema de deslocamento da cidade, visto que, com essa taxa de crescimento no número de veiculos, em alguns anos, o trânsito lá vai se tornar engarrafado de novo.

A única alternativa para o trânsito das grandes cidades é investir em transporte público de qualidade, que permita o deslocamento com conforto, rapidez e segurança e não faça as pessoas dependerem de um carro particular. Além disso, as bicicletas podem ser um complemento importante ao transporte público, principalmente em trajetos menores. Porém, infelizmente, a política de transporte da grande maioria das cidades brasileiras é voltada exclusivamente para os automóveis particulares…

Hoje passei pela primeira vez pelo viaduto e, como os outros passageiros, fiquei surpreso com a determinação de que os ônibus não podem passar pelas alças do viaduto, as quais permitem que os veículos desçam ou subam de uma avenida para outra. Segundo o site da prefeitura, essa determinação visa “melhorar o escoamento do tráfego”.

Ou seja, os 14 milhões de reais visa apenas “melhorar” o trânsito para quem tem seu próprio carro. Quem anda de ônibus vai perder mais tempo com os novos trajetos (veja o mapa), simplesmente porque as alças do viaduto foram feitas apenas para o uso dos carros particulares.

Assisti um vídeo muito bom sobre a questão do transporte nas grande cidades, chama-se “A sociedade do automóvel” e está disponível na página: http://pirex.com.br/sociedade-do-automovel/ .

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