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O lar das crianças e o dos vizinhos

Ontem, eu e meu amigo Marcus fizemos uma visita à ocupação do Hotel Brisamar, onde desde o dia 1º de maio mais de duzentas famílias estão vivendo e reivindicando o direito à moradia. Depois da visita, produzimos fotos e um texto, os quais publicamos no site do Centro de Mídia Independente.

O Hotel seria um empreendimento de luxo, numa das áreas mais nobres da orla de Aracaju, porém as obras estão paradas há mais de vinte anos. Algumas pessoas dizem que o dinheiro do financiamento da extinta SUDENE foi desviado pelo proprietário do Hotel, já a imprensa afirma que a obra não chegou a receber o apoio prometido pela SUDENE. De toda forma, o fato é que o local estava abandonado, e agora serve de moradia para pessoas que não possuem casa própria, nem podem pagar um aluguel.

Talvez esse tenha sido o meu contato mais marcante com um movimento social… ver pessoas morando num local quase sem nenhuma infra-estrutura… apenas duas torneiras de água abastecem todo o prédio. A cozinha tem que ser improvisada em cada quarto, ao lado do colchão. Por todo o prédio, várias poças d’água provocadas pela chuva e pelas infiltrações (inclusive nos quartos) já que o teto do hotel não possui cobertura.

O mais triste é ver crianças tendo que morar nesse ambiente… durante o tempo que estive lá, uma nova família estava chegando com a mudança e presenciei a alegria de uma menina com o novo lugar em que iria morar (provavelmente morava em um local ainda pior)… na saída, vi algumas crianças se divertindo matando os cupins que saíam de umas toras de madeira no térreo. Muitas delas não podem mais freqüentar a escola, pois vieram de bairros distantes e os pais não têm condições de pagar o transporte.

Escrevendo esse parágrafo, me lembrei de uma frase: “Esta noite milhões de crianças no mundo vão dormir nas ruas. Nenhuma delas é cubana”, diz um cartaz em Havana.

Obs.: A foto acima é de uma das casas ao lado do hotel.

Pra que(m) serve um viaduto?

Ontem a prefeitura de Aracaju inaugurou o viaduto do DIA, uma obra de mais de 14 milhões de reais feita com o intuito de melhorar o trânsito na região do DIA, que é onde se cruzam algumas das principais avenidas da cidade.

O trânsito ali realmente era ruim, porém, segundo dados da Infonet, 1200 novos carros entram nas ruas de Aracaju todo mês. Ou seja, o viaduto só faz adiar o problema de deslocamento da cidade, visto que, com essa taxa de crescimento no número de veiculos, em alguns anos, o trânsito lá vai se tornar engarrafado de novo.

A única alternativa para o trânsito das grandes cidades é investir em transporte público de qualidade, que permita o deslocamento com conforto, rapidez e segurança e não faça as pessoas dependerem de um carro particular. Além disso, as bicicletas podem ser um complemento importante ao transporte público, principalmente em trajetos menores. Porém, infelizmente, a política de transporte da grande maioria das cidades brasileiras é voltada exclusivamente para os automóveis particulares…

Hoje passei pela primeira vez pelo viaduto e, como os outros passageiros, fiquei surpreso com a determinação de que os ônibus não podem passar pelas alças do viaduto, as quais permitem que os veículos desçam ou subam de uma avenida para outra. Segundo o site da prefeitura, essa determinação visa “melhorar o escoamento do tráfego”.

Ou seja, os 14 milhões de reais visa apenas “melhorar” o trânsito para quem tem seu próprio carro. Quem anda de ônibus vai perder mais tempo com os novos trajetos (veja o mapa), simplesmente porque as alças do viaduto foram feitas apenas para o uso dos carros particulares.

Assisti um vídeo muito bom sobre a questão do transporte nas grande cidades, chama-se “A sociedade do automóvel” e está disponível na página: http://pirex.com.br/sociedade-do-automovel/ .

Medalha a um Catalão muito Brasileiro

seu rosendo

Medalha a um Catalão muito Brasileiro é um documentário sobre o Sr. Rosendo Solanich, um catalão que após ter participado de duas guerras (guerra civil espanhola e segunda guerra mundial), vive tranquilo no Brasil desde 1950. Além de ter lutado em terra e mar, o Sr. Rosendo ainda conseguiu escapar de um campo de concentração e sobreviveu a um naufrágio durante a segunda guerra.

No vídeo, Seu Rosendo conta todas as suas “pelejas guerreiras” e também suas reflexões pós-guerra. Atualmente, ele vive com a família no Povoado Areia Branca, em Aracaju.

O documentário foi produzido por mim e pelo meu amigo Rubens. Gravamos a entrevista em apenas uma tarde, no mês de outubro/2007 e editamos em dezembro.

Download: Medalha a um Catalão muito Brasileiro – formato Ogg/Theora – 138 MB.

Obs.: Quem ainda não utiliza GNU/Linux, vai precisar do codec para ogg/theora ou de um player de vídeo livre (recomendo  o VLC). A instalação destes é bem simples e pode ser feita em poucos minutos.

Bicicletada Aracaju

Faz uns dois meses que eu comprei uma bicicleta. Apesar de Aracaju ter uma boa quantidade de ciclovias, eu ainda uso pouco a bicicleta. Vou principalmente para a praia e para alguns locais mais próximos com ela. O que me desanima a usar mais a bicicleta é a falta de locais para guardá-la com segurança e também o calor que faz aqui em Aracaju.

Em outubro de 2007, um grupo iniciou a realização de bicicletadas na cidade. Essa semana vou tentar participar pela primeira vez da bicicletada, que vai acontecer na sexta (25/01) às 18h30 e no sábado às 9h. A bicicletada é parte da programação do dia de Ação Global e Mobilização do FSM 2008. O ponto de encontro é a pracinha do mini golf, perto do Iate Clube (veja o mapa).

bicicletada aracaju

Blog do grupo que organiza as bicicletadas em Aracaju:  http://blogciclourbano.blogspot.com/

Povoado de Areia Branca

Há algumas semanas, conheci o Povoado de Areia Branca e fiz algumas fotos. O Povoado fica no extremo sul de Aracaju e por lá passa um rio, que eu pensava que fosse o Vaza barris, mas não é…

Ultimamente, o Povoado tem sido invadido pelas classes mais abastadas de Aracaju e várias casas têm sido construídas na margem do rio. A erosão na margens já é vísivel.

No povoado existe um grupo de samba de coco centenário que todo ano realiza a Festa do Mastro. Eu e dois amigos inscrevemos um projeto no Programa BNB de Cultura para realizar oficinas de audiovisual em Areia Branca e dar um apoio para a renovação do grupo de samba de coco. Em novembro sai o resultado e, caso seja aprovado, começamos as atividades em janeiro.

mais fotos: http://www.flickr.com/photos/casazero/tags/areiabranca/

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