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Encontro Mineiro de Software Livre – 2010

Semana passada participei pela primeira vez do Encontro Mineiro de Software Livre, realizado na Universidade Federal de Uberlândia. Apresentei um mini-curso de Inkscape e uma palestra sobre softwares livres para edição de vídeo.

O evento teve um público bem pequeno, no entanto foi bem produtivo em debates, conversas e contatos. Pude ver uma muito bem humorada palestra  sobre geometria computacional com Ole Peter Smith, dinamarquês e professor da Universidade Federal de Goiás. Outra palestra interessante foi a do Wendell Gonçalves sobre software livre e educação, a qual mostrou alguns pontos de vista sobre esse tema que eu ainda não tinha contato.

Além disso, aconteceram duas boas desconferências. Numa delas, discutimos sobre o conceito de Liberdade no Software Livre. Já no sábado, tivemos a presença de dois integrantes do Circuito Fora do Eixo, os quais afirmaram o interesse ideológico da FdE em migrar para software livre, e discutimos como o movimento software livre pode colaborar para isso. Pra quem não conhece, o Circuito Fora do Eixo é uma rede de coletivos culturais de todo o país que trabalha com princípios como a economia solidária e o cooperativismo.

Outro bom momento foi a palestra do Nighto sobre Open Street Map. Quando voltei pra casa, me cadastrei e já fiz várias contribuições. Uma coisa divertida de colaborar com o OSM é relembrar os lugares em que estive em Uberlândia. Também já fiz algumas edições nos mapas de Aracaju e Salvador.

Gostei bastante do EMSL e agradeço a excelente recepção e atenção da turma que organizou o evento (tivemos até coffee break com pão de queijo!). Disponibilizo aqui os slides da palestra “Análise dos softwares livres para edição de vídeo”. Faça o download dos slides em PDF (585kb) ou em ODP (928kb).

Futebol nos Pampas

Meninos jogando bola na Ciudad Vieja, Montevideo

No táxi que peguei da rodoviária de Buenos Aires até o Hostel no dia em que cheguei, os principais assuntos foram política e futebol. O taxista, que fisicamente lembrava o Maradona, começou falando sobre o fim do mandato do Lula nesse ano. Afirmou que o Brasil está indo bem e questionou sobre quem provavelmente será o sucessor. Depois o tema mudou para futebol. Falou que nós nos demos mal na Copa e que a Argentina também, porém não queria a saída de Maradona.

Já no táxi que peguei quando fui embora de BsAs, o assunto foi principalmente futebol. Entretanto, o taxista me questionou também sobre as diferenças sociais e econômicas que eu consegui perceber entre Brasil e Argentina. Em seguida, começamos a falar de futebol. O taxista era torcedor fanático do Lanús, time da cidade de mesmo nome, localizada na região metropolitana de BsAs. Ele falou que toda a família torcia para o Lanús e que o pai, ele e os irmãos são sócios do clube. Falou que com o esforço dos sócios e da diretoria, conseguiram construir um estádio, contratar bons jogadores e isso já está refletindo na performance do time. Aí ele pegou o jornal pra me mostrar que o Lanús era o primeiro na média de pontos das últimas três temporadas do Campeonato Argentino.

A impressão que tive dos taxistas de BsAs foi muito boa. Todas as três vezes que peguei táxi, os táxistas puxaram assunto e conversaram comigo durante todo o percurso. Além disso, o preço é muito inferior ao do Brasil…

La Bombonera (foto feita sem zoom!)

Outro contato com futebol que tive na viagem foram as visitas à La Bombonera, estádio do Boca Juniors, e ao Centenário, principal estádio do Uruguai. Gosto muito de estádios, apesar de ter ído pela primeira vez em um há apenas um ano (meus pais dizem que me levaram na Fonte Nova quando eu era criança, mas não me lembro de nada…).

La Bombonera

O La Bombonera é muito interessante. Ele foi construído em uma área pequena demais para um estádio tradicional. Assim, os arquitetos tiveram que encontrar soluções para que ele coubesse na área e para que a capacidade fosse compatível com a grandeza da torcida do Boca. Com isso, as arquibancadas ficam muito próximas do gramado. Só tive acesso ao setor central das arquibancadas, mas, pelo que vi, deve ser uma experiência bem diferente assistir um jogo lá.

Estádio Centenário

Já o estádio Centenário consegue ser exatamente o contrário do La Bomboneira. Gramado bem distante da arquibancada e bem mais extenso. Lá no Centenário existe um museu do futebol, porém no dia em que eu fui, estava fechado.

Gostaria de ter assistido um jogo em Buenos Aires, porém o Torneio Apertura começou exatamente no dia em que fui embora de lá…

Estádio Centenário

Hostel, curso de espanhol e mobilidade em Buenos Aires

Terraço do Hostel

Fiquei hospedado no Hostel Portal del Sur durante os 12 dias que fiquei em Buenos Aires. A localização dele é muito boa, no centro da cidade, perto da Casa Rosada e da Av. 9 de Julho, a uma quadra de duas estações de metrô e próximo de vários locais interessantes. Quanto à equipe do hostel, metade dela não é muito simpática, porém a outra metade é bem receptiva e ajuda bastante os hóspedes. Conheci muita gente lá e pude praticar o espanhol.

Sorteio de prêmios na escola

Fiz duas semanas de curso de espanhol numa escola chamada IBL. A escola está localizada no centro de BsAs, bem próximo do hostel. Gostei muito dos professores e do método de ensino, porém sugiro consultar o número de alunos na turma quando for reservar. Turmas com quatro alunos ou menos têm um rendimento bem melhor. O IBL também oferece cursos pela internet com recursos bem interessantes.

Praça de Maio e Casa Rosada

Mobilidade

Gostei muito do sistema de transporte coletivo de Buenos Aires. Apesar de o metrô estar lotado em vários períodos do dia, ele é bem abrangente, a integração de linhas é gratuita e a passagem é muito barata (cerca de 55 centavos de real) e subsidiada pelo estado. Em São Paulo, uma passagem de metrô custa R$ 2,55!

Os ônibus também são eficientes, bem conservados, funcionam 24h por dia e o preço é quase o mesmo do metrô e também é subsidiado. Só precisei pegar taxi três vezes nos 12 dias que passei lá. É bem fácil encontrar mapas gratuitos de Buenos Aires e estes sempre incluem as linhas de metrô e estações, o que ajuda bastante na locomoção por lá.

Os mapas me ajudaram também a caminhar bastante pela cidade. O trânsito é bem mais amigável com os pedestres que aqui no Brasil. Nos bairros mais centrais, as ruas têm muitas faixas de pedestre e semáforos. Os carros costumam parar quando o sinal ainda está amarelo e ,quase sempre, a travessia é bem segura.

Chegada a Buenos Aires

Após o FISL, peguei um ônibus em Porto Alegre no final da tarde do dia 24 de julho e parti para Buenos Aires. A viagem demorou mais ou menos 20 horas, porém ficamos parados cerca de 2h na aduana logo que entramos na Argentina.

A primeira impressão de Buenos Aires não foi boa. Dia chuvoso, uma névoa cobria a cidade, deixando-a completamente cinza. Eu também estava um pouco apreensivo por estar sozinho em outro país.

Cheguei por volta das duas da tarde e peguei um taxi na rodoviária até o hostel. Após tomar um banho e arrumar minhas mochilas no armário do hostel, fui procurar um lugar para almoçar. Acabei indo parar em um café da Avenida de Mayo. O lugar parecia estar na década de 60, tanto pelo ambiente quanto pela idade das pessoas que frequentavam. Pedi um filé de merluza com batatas fritas. Um ou dois minutos depois, a garçonete me traz um pirex com uns peixinhos parecidos com sardinha e umas azeitonas. Inicialmente cogitei que teria entendido errado o que estava escrito no cardápio, mas depois vi que é costume nos cafés argentinos servir algo como entrada até que o prato solicitado fique pronto.

Entretanto, o prato principal não me agradou. A merluza não tinha sabor algum e as batatas fritas estavam murchas e ensopadas de óleo! Por conta da chuva, passei o restante do dia no hostel. Estava tão assustado com a chegada na cidade que pensei em antecipar a volta ao Brasil.

No dia seguinte, porém tudo mudou. Céu azul e pouco frio. Pela manhã fui pra minha primeira aula de espanhol e gostei bastante. Na hora do almoço, descobri o “Cabildo de Buenos Aires”, um café com ambiente legal, boa variedade de pratos e preço bom. Resolvi não arriscar e pedi um spaghetti com molho quatro queijos! A entrada dessa vez foi mais saborosa: um pastelzinho de carne e uma mini fatia de pizza! O spaghetti me agradou tanto que voltei a comer no “Cabildo” outras quatro ou cinco vezes.

FISL 11 e Porto Alegre

De 20 a 24 de julho, participei da 11ª edição do Fórum Internacional de Software Livre. O FISL esse ano me agradou mais do que a edição anterior. Percebi uma diversidade maior de temas na programação e acho que consegui escolher melhor as palestras do que no ano passado.

Assisiti boas palestras sobre HTML5, ministradas pela equipe da Fundação Mozilla, os quais mostraram alguns recursos que o HTML5 + javascript proporciona para o vídeo na web. Por falar em javascript, acho que essa é uma linguagem que vale a pena estudar  atualmente, pois abre muitas possibilidades quando usada com o HTML5.

Encontro LGM Brasil

Um momento importante do FISL, foi o encontro LGM Brasil, que reuniu algumas pessoas que colaboram/trabalham com softwares gráficos livres. Um dos temas discutidos foi a possibilidade de realizar o encontro LGM Internacional no Brasil em 2012. Consideramos que, a menos que consigamos um forte apoio de algum orgão estatal, seria muito difícil realizar o encontro aqui, pois boa parte dos desenvolvedores vivem na Europa e América do Norte. Como o custo das passagens é bastante alto e seria prejudicial para o LGM se muitos desenvolvedores não conseguirem vir. Além do encontro, a programação contou com várias palestras sobre os softwares gráficos.

Além disso, vi uma excelente palestra sobre o Open Street Map, um projeto colaborativo para a criação de mapas sob licenças livres . O mapeamento pode ser feito por meio de um aparelho GPS ou pelo site do projeto, com base nas fotos de satélite que o Yahoo disponiblizou. Em cidades como Berlin e Londres, as informações do Open Street Map são mais completas do que as do Google Maps. O OSM foi a principal fonte de informação para as equipes humanitárias que atuaram no Haiti após o terremoto. Em apenas 48 horas, pessoas do mundo todo ajudaram a mapear grande parte da região atingida pelo terremoto.

Mesa - Licenciamento de Software Livre
Foi muito boa também a palestra do JS sobre DRM, as mesas “Professor, um jeito hacker de ser”, composta  por Nelson Pretto, Sérgio Amadeu e Adriano Teixeira, e a de licenciamento de software livre, as lightning talks do pessoal da #horaextra, entre outras…

Em Porto Alegre, não consegui visitar muitos lugares, pois a programação diária do FISL foi de 12h. Este ano, o clima estava menos frio do que no ano passado. O ruim foi que nos dois primeiros dias choveu bastante e o sol praticamente não apareceu. Como fiquei hospedado no centro da cidade caminhei bastante por lá e aproveitei para conhecer o mercado público (mas esqueci de fazer fotos). Quando eu retornar da Argentina e Uruguai, pretendo passar pelo menos um dia andando por PoA.

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