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Cavan e o Fleadh Cheoil

Menina tocando acordeon

O que mais gostei na cultura irlandesa foi a música, principalmente a música tradicional e as canções folk tocadas pelos artistas de rua. A música tradicional usa uma grande variedade de instrumentos: gaita de fole, flauta irlandesa, violão, banjo, bandolim, acordeon, harpa, violino e outros.

Tive a oportunidade de ir ao Fleadh Cheoil, um festival de música tradicional realizado na cidadezinha de Cavan. O que faz o festival tão interessante não são grandes atrações, mas a forma de realização dele. Havia apresentações em teatros, auditórios, pubs, em palcos abertos localizados em praças, mas o principal mesmo eram os artistas que se apresentavam nas ruas. Na verdade, qualquer pessoa, poderia pegar seu instrumento e tocar em algum lugar nas ruas de Cavan. Havia músicos de todas as idades, inclusive muitas crianças. Algumas era perceptível que não sabiam mais do que uma ou duas músicas, mas mesmo assim estavam na rua participando da festa e mostrando o que sabiam tocar.

Rua principal de Cavan

O nome do festival é escrito em gaélico (também chamada de Irish), a língua tradicional da Irlanda. Todas as placas de trânsito e informações de órgãos governamentais são escritos em gaélico e em inglês. Além disso, o gaélico é ensinado na escola e exigido para assumir alguns cargos públicos.

Comprei uma flauta irlandesa, aprendi a tocar um solo simples, mas não tenho me dedicado muito…

Harpa Música folk irlandesa

Havia muitas crianças com pinturas no rosto   Flauta irlandesa

Literatura e direitos autorais

Da esq. para dir. Raquel Cozer, Miguel Sanches e Fernando Morais

Há algumas semanas li um post no blog do Leo Germani sobre uma projeto de pesquisa a respeito de como os músicos se sustentam financeiramente. Os primeiros resultados da pesquisa, entre outros dados interessantes, mostram aquilo que todo mundo já sabe: direito autoral representa uma parcela pequena da renda dos músicos.

Na primeira mesa da Flica 2011 (Festa Literária Internacional de Cachoeira), surgiu um debate interessante sobre direitos autorais. O mediador perguntou para os dois escritores (Fernando Morais e Miguel Sanches Neto) e para a jornalista (Raquel Cozer) o que eles achavam da “pirataria de livros”. Até então eu não tinha conhecimento de como andava a área de literatura em relação a remuneração dos autores. Me surpreendi ao saber que a literatura e a música estão em situação bastante similar.

Miguel e Raquel falaram que pouquíssimos autores conseguem viver apenas do direito autoral no Brasil. As editoras repassam aos autores de 10 a 12% do preço de capa do livro, assim os autores costumam sobreviver mesmo é de escrever para jornais e revistas e de cachês por participação em eventos como festas literárias. Os dois convidados concordaram que a distribuição gratuita dos livros na internet só é benéfica para os escritores mais famosos e com um público consolidado, o que eu discordo. Penso que quem não vive de direito autoral é quem menos tem a perder (e também quem mais precisa) com a divulgação de suas obras na internet.

Fernando Morais, integrante do seleto grupo que consegue se sustentar com os royalties dos livros, disse que para conseguir vender livro precisa viajar por todo o país participando de bienais, festas e feiras literárias, trabalho que ele considera bastante cansativo. Chico Buarque, segundo Morais, é um dos poucos que consegue vender bem sem precisar participar de eventos. Ele também afirmou que a adaptação das suas obras para áudio livros e para cinema tem sido bastante rentável.

Além disso, os dois escritores afirmaram que a “pirataria” (não gosto desse termo, pirata é quem saqueia navios em alto mar!) que mais os incomoda é a praticada por editoras e por cursinhos pré-vestibular, os quais inserem textos em apostilas e livros didáticos sem pedir autorização e sem remunerar os autores. Miguel falou que não se incomoda de pessoas copiarem seus livros para estudo, caso não possam comprar. Fernando Morais disse que uma vez pesquisou os livros dele que estavam disponíveis na internet para download não autorizado e achou as cópias de qualidade muito ruim, com muitos erros devidos ao processo de “scanneamento”, não ameaçando assim a venda do livro de papel. Ele também disse que tem vontade de propor à editora fazer uma experiência de liberar para download alguns livros cujas vendas já estão estabilizadas e permitir que as pessoas paguem a quantia que desejarem.

Apesar da visão ainda conservadora dos convidados em relação aos direitos autorais, foi interessante conhecer alguns detalhes do mercado literário, bem como uma infração de direitos autorais que geralmente não é mostrada: a praticada pelas próprias editoras.

Pouca Vogal e Chapada Diamantina

Sempre escrevo posts e acabo demorando muito de postar, tanto que às vezes as notícias ficam velhas… No final de janeiro fui no show do Pouca Vogal, em Irecê-BA, e fui pela primeira vez na Chapada Diamantina.

Depois de muitos anos, consegui ver Gessinger tocar ao vivo! Sempre quis ver um show dos Engenheiros do Hawaii ou do Pouca Vogal, mas nunca havia tido uma oportunidade. Finalmente consegui! Gostei muito do show, mas gostaria de assisti-lo em um teatro, que é um ambiente mais adequado à sonoridade.

Como o show foi em Irecê, numa sexta-feira, aproveitei pra passar o fim de semana na Chapada Diamantina, em Lençóis.

Cheguei em Lençóis no sábado à tarde, fui recuperar uma parte do sono perdido das últimas duas noites e depois fui conhecer a cidade e procurar um passeio pra fazer no domingo. Me interessei por uma trilha de bike, mas pra fazer sozinho ficava muito caro, então acabei optando por um outro passeio que visitava algumas grutas, uma cachoeira e o Morro do Pai Inácio.

Gostei bastante de subir o Morro do Pai Inácio. Desde que li “Na natureza selvagem“, tenho me interessado por montanhismo. Tenho planos de subir o Pico das Almas, um dos pontos mais altos do nordeste, em Rio de Contas, perto de Brumado.

Infelizmente, o tempo que passei lá em Lençóis foi muito curto e não deu pra conhecer muitos locais. Tenho que voltar lá outra vez e, de preferência, com uma bicicleta pra fazer umas trilhas.

Violão

eu e o violão

Comprei um violão!

Novos livros

“Pra ser sincero”, de Humberto Gessinger, um dos artistas que eu mais admiro. É um livro sobre a trajetória deste com os Engenheiros do Hawaii e agora com o Pouca Vogal. Contém comentários sobre cada ano de carreira e cada um dos discos e sobre algumas das 123 músicas cujas letras estão no livro. Comprei na promoção de pré-venda e recebi o livro autografado por Gessinger e ainda uma camiseta comemorativa.

Em janeiro, também comprei o “Na natureza selvagem” e o “Mar sem fim”. O primeiro, mesmo não sendo como eu esperava, gostei muito! Conta a história de Chris McCandless, um cara que abandona carro, carreira e família e começa a viver viajando de carona pelos EUA, até que decide ir passar um verão isolado no Alaska.

Eu já havia visto o filme há mais de um ano e esperava que o livro tivesse uma linguagem literária, no entanto, ele tende pra algo mais documental, próximo de uma grande reportagem. Mesmo assim, vale muito a pena ler, ver o filme e baixar a trilha sonora, composta e gravada pelo Eddie Vedder.

Já o “Mar sem fim”, eu vou começar nas próximas semanas. Este é o único livro do Amyr Klink que eu ainda não li. O tema deste é a volta ao mundo realizada por Klink, navegando em solitário num veleiro abaixo da convergência antártica.

Tenho me interessado por livros sobre viajantes aventureiros. O próximo que quero ler é o diário da viagem de Che Guevara pela América do Sul.

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