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Clips: a programação do FISL para dispositivos móveis

Todo ano acontece em Porto Alegre o o FISL (Fórum Internacional de Software Livre), maior evento de Software Livre da América Latina. Esse ano não vou participar, mas já estive lá em 2009 e 2010. A grade de programação do FISL é bastante extensa, pois o evento ocorre simultaneamente em mais de 20 espaços durante quase 10h diárias. Isso exige que durante o evento os participantes tenham sempre que consultar a programação para decidir o que vão assistir e saber  o local da atividade. A programação está disponível em duas maneiras principais: uma revista impressa, que é distribuída aos participantes, e o site do evento, porém a página da programação tem o inconveniente de não ser bem visualizada em telas pequenas como as de celulares.

Pensando em solucionar esse problema, eu e Davi Lima resolvemos desenvolver o Clips, um site com a programação do FISL 13 adaptada para dispositivos móveis, como tablets e smartphones. Encontramos um código no GitHub que era uma boa base para o que queríamos e trabalhamos em cima dele. Davi fez o layout base utilizando jQuery Mobile e eu trabalhei no código em Django. Colocamos o site online hoje e esperamos que seja bastante útil aos participantes do FISL. O código-fonte está disponível no GitHub. Pretendemos continuar melhorando o Clips para usá-lo em outras edições do FISL e também em outros eventos.

Acesse o Clips por http://clips.tk ou utilize o QR Code acima.

PS: Agradeço a Valessio pelas valiosas dicas e a todos que ajudaram a testar o Clips!

Mapas Livres e Humanitarismo

Cartaz do evento Mapas Livres e Humanitarismo

Estou organizando um evento no dia 10 de abril na UFRB, em Cachoeira-BA. Contaremos com uma palestra de Séverin Menard, integrante francês do Time Humanitário do OpenStreetMap (HOT) e aproveitaremos para fazer o lançamento do site do projeto MapaRec (Mapeamento Colaborativo do Recôncavo).

Séverin vem atuando no Haiti desde o terremoto acontecido no início de 2010, realizando trabalhos de mapeamento do país e de capacitação da população local para produção e uso de mapas.

Latinoware 2011

Na semana passada, participei pela primeira vez da Latinoware (Conferência Latino-Americana de Software Livre), creio que o segundo maior evento de Software Livre do Brasil. Gostei muito da Latinoware, por vários motivos… Apesar de não ter uma programação tão grande quanto a do FISL, por ser um evento menor, você consegue conversar com mais gente e se deslocar pelos espaços com mais calma. A programação foi bastante diversificada, com minicursos e palestras de diversas áreas. Também gostei da presença de participantes de vários países da América do Sul, como Bolívia, Colômbia, Peru, Paraguai e Argentina. Acho muito interessante que essa integração aconteça.

Além disso, apresentei uma palestra com Djavan Fagundes sobre o OpenStreetMap. Na apresentação, falamos da importância e potencial do OSM, de alguns projetos de mapeamento que temos e mostramos como começar a editar no OSM. Foram publicados dois posts sobre a palestra, um no site do evento e outro em um blog da Serpro. Também cedemos uma entrevista para a assessora de comunicação do Serpro que deve render uma matéria em breve na revista da empresa.

A apresentação de slides está disponível em: http://bayfiles.com/file/193B/cnTS31/mapeamento_OSM-1.2.pdf

Literatura e direitos autorais

Da esq. para dir. Raquel Cozer, Miguel Sanches e Fernando Morais

Há algumas semanas li um post no blog do Leo Germani sobre uma projeto de pesquisa a respeito de como os músicos se sustentam financeiramente. Os primeiros resultados da pesquisa, entre outros dados interessantes, mostram aquilo que todo mundo já sabe: direito autoral representa uma parcela pequena da renda dos músicos.

Na primeira mesa da Flica 2011 (Festa Literária Internacional de Cachoeira), surgiu um debate interessante sobre direitos autorais. O mediador perguntou para os dois escritores (Fernando Morais e Miguel Sanches Neto) e para a jornalista (Raquel Cozer) o que eles achavam da “pirataria de livros”. Até então eu não tinha conhecimento de como andava a área de literatura em relação a remuneração dos autores. Me surpreendi ao saber que a literatura e a música estão em situação bastante similar.

Miguel e Raquel falaram que pouquíssimos autores conseguem viver apenas do direito autoral no Brasil. As editoras repassam aos autores de 10 a 12% do preço de capa do livro, assim os autores costumam sobreviver mesmo é de escrever para jornais e revistas e de cachês por participação em eventos como festas literárias. Os dois convidados concordaram que a distribuição gratuita dos livros na internet só é benéfica para os escritores mais famosos e com um público consolidado, o que eu discordo. Penso que quem não vive de direito autoral é quem menos tem a perder (e também quem mais precisa) com a divulgação de suas obras na internet.

Fernando Morais, integrante do seleto grupo que consegue se sustentar com os royalties dos livros, disse que para conseguir vender livro precisa viajar por todo o país participando de bienais, festas e feiras literárias, trabalho que ele considera bastante cansativo. Chico Buarque, segundo Morais, é um dos poucos que consegue vender bem sem precisar participar de eventos. Ele também afirmou que a adaptação das suas obras para áudio livros e para cinema tem sido bastante rentável.

Além disso, os dois escritores afirmaram que a “pirataria” (não gosto desse termo, pirata é quem saqueia navios em alto mar!) que mais os incomoda é a praticada por editoras e por cursinhos pré-vestibular, os quais inserem textos em apostilas e livros didáticos sem pedir autorização e sem remunerar os autores. Miguel falou que não se incomoda de pessoas copiarem seus livros para estudo, caso não possam comprar. Fernando Morais disse que uma vez pesquisou os livros dele que estavam disponíveis na internet para download não autorizado e achou as cópias de qualidade muito ruim, com muitos erros devidos ao processo de “scanneamento”, não ameaçando assim a venda do livro de papel. Ele também disse que tem vontade de propor à editora fazer uma experiência de liberar para download alguns livros cujas vendas já estão estabilizadas e permitir que as pessoas paguem a quantia que desejarem.

Apesar da visão ainda conservadora dos convidados em relação aos direitos autorais, foi interessante conhecer alguns detalhes do mercado literário, bem como uma infração de direitos autorais que geralmente não é mostrada: a praticada pelas próprias editoras.

Como foi o Flisol 2011 em Cruz das Almas…

No sábado, realizamos o Flisol em Cruz das Almas/BA. O evento foi organizado por mim e por meu colega de trabalho e amigo César Velame. A grande surpresa do evento foi o grande público. A sala ficou cheia durante todo o dia e as oficinas tiveram grande procura também. O público fez muitas perguntas e participou ativamente do evento. Além disso, tivemos uma grande participação de mulheres: 40% do público registrado, o que é uma proporção elevada em relação a outros eventos da área de tecnologia!

Creio que conseguimos montar uma programação bem balanceada entre palestras com conteúdo mais técnico e palestras sobre aspectos ideológicos do software livre e de nível iniciante. Instalamos GNU/Linux nos notebooks de algumas pessoas e distribuímos DVD’s com Ubuntu 10.10, softwares livres para Window$ e Mac O$, manuais, livros e vídeos sobre cultura digital e software livre.

Agradeço aos amigos palestrantes que vieram de Salvador e colaboraram para fazermos um excelente evento e também ao apoio da COTEC/UFRB.

Estou bem animado pra realizar outros eventos em Cruz das Almas, vou começar a planejar com César um evento maior para o segundo semestre. Também já temos mais algumas idéias em mente para difundir o software livre na UFRB. Esta semana vou começar a ministrar um curso de Introdução ao GNU/Linux para os alunos do Bacharelado em Ciências Exatas e Tecnológicas.

Mais fotos do Flisol Cruz das Almas

Fotos do Flisol 2011 em toda a América Latina

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