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Literatura e direitos autorais

Da esq. para dir. Raquel Cozer, Miguel Sanches e Fernando Morais

Há algumas semanas li um post no blog do Leo Germani sobre uma projeto de pesquisa a respeito de como os músicos se sustentam financeiramente. Os primeiros resultados da pesquisa, entre outros dados interessantes, mostram aquilo que todo mundo já sabe: direito autoral representa uma parcela pequena da renda dos músicos.

Na primeira mesa da Flica 2011 (Festa Literária Internacional de Cachoeira), surgiu um debate interessante sobre direitos autorais. O mediador perguntou para os dois escritores (Fernando Morais e Miguel Sanches Neto) e para a jornalista (Raquel Cozer) o que eles achavam da “pirataria de livros”. Até então eu não tinha conhecimento de como andava a área de literatura em relação a remuneração dos autores. Me surpreendi ao saber que a literatura e a música estão em situação bastante similar.

Miguel e Raquel falaram que pouquíssimos autores conseguem viver apenas do direito autoral no Brasil. As editoras repassam aos autores de 10 a 12% do preço de capa do livro, assim os autores costumam sobreviver mesmo é de escrever para jornais e revistas e de cachês por participação em eventos como festas literárias. Os dois convidados concordaram que a distribuição gratuita dos livros na internet só é benéfica para os escritores mais famosos e com um público consolidado, o que eu discordo. Penso que quem não vive de direito autoral é quem menos tem a perder (e também quem mais precisa) com a divulgação de suas obras na internet.

Fernando Morais, integrante do seleto grupo que consegue se sustentar com os royalties dos livros, disse que para conseguir vender livro precisa viajar por todo o país participando de bienais, festas e feiras literárias, trabalho que ele considera bastante cansativo. Chico Buarque, segundo Morais, é um dos poucos que consegue vender bem sem precisar participar de eventos. Ele também afirmou que a adaptação das suas obras para áudio livros e para cinema tem sido bastante rentável.

Além disso, os dois escritores afirmaram que a “pirataria” (não gosto desse termo, pirata é quem saqueia navios em alto mar!) que mais os incomoda é a praticada por editoras e por cursinhos pré-vestibular, os quais inserem textos em apostilas e livros didáticos sem pedir autorização e sem remunerar os autores. Miguel falou que não se incomoda de pessoas copiarem seus livros para estudo, caso não possam comprar. Fernando Morais disse que uma vez pesquisou os livros dele que estavam disponíveis na internet para download não autorizado e achou as cópias de qualidade muito ruim, com muitos erros devidos ao processo de “scanneamento”, não ameaçando assim a venda do livro de papel. Ele também disse que tem vontade de propor à editora fazer uma experiência de liberar para download alguns livros cujas vendas já estão estabilizadas e permitir que as pessoas paguem a quantia que desejarem.

Apesar da visão ainda conservadora dos convidados em relação aos direitos autorais, foi interessante conhecer alguns detalhes do mercado literário, bem como uma infração de direitos autorais que geralmente não é mostrada: a praticada pelas próprias editoras.

Civic Hacking, Dados Públicos e P2PU

Em março e abril foi realizado o curso de Civic Hacking na Peer 2 Peer University. A P2PU é uma iniciativa que incentiva a criação de grupos de estudos online e funciona assim: alguém propõe ministrar um curso, abre-se o período de inscrições para os estudantes interessados, é realizada a seleção e o curso é realizado com ferramentas online e recursos educacionais abertos. O curso de Civic Hacking, foi um dos três primeiros ministrados em português na P2PU.

Civic hacking é um termo que diz respeito às novas formas de ação na esfera pública interconectada, o que algumas vezes é denominado de ativismo online. São ações estabelecidas por meio da apropriação da tecnologia buscando provocar transformações sociais.

O curso teve duração de seis semanas e compreendeu tanto discussões teóricas a respeito do tema quanto atividades práticas, como a elaboração de uma linha do tempo da Lei Azeredo (e principalmente dos protestos contra esta) e a criação de um mashup com dados públicos. Foi também produzido um tutorial de ferramentas de visualização de dados e de mashup e eu colaborei com uma visualização comparando os gastos de alguns estados brasileiros em algumas pastas de governo.

Já a questão dos dados públicos foi um dos temas que mais motivou os debates teóricos. Informações públicas disponibilizadas na internet devem ser consideradas como uma necessidade básica de qualquer democracia. Apesar de já existirem alguns portais de transparência pública com estes dados, são necessários muitos avanços, seja na quantidade de dados disponíveis como na forma de disponibilização.

Apesar de ter sido muito proveitoso participar do curso, percebi que preciso avançar muito em relação à auto-disciplina, pois esta é fundamental em um processo de aprendizagem informal, sem exigência de frequência, provas e notas.

Quem se interessou por Civic Hacking, pode acessar a página do curso na P2PU e também os arquivos da lista de discussão. Em breve, novas turmas devem ser abertas na P2PU.

Fórum da culturadigital.br, hackitectura e São Paulo

Em meados de novembro estive em São Paulo para participar do Fórum da Cultura Digital Brasileira, um evento com o objetivo de discutir as políticas públicas de cultura digital do Ministério da Cultura. Gostei bastante do resultado do evento: boas apresentações, os/as participantes fizeram boas intervenções e à noite rolaram uns shows legais de alguns artistas que liberam as músicas na internet.

Lá no fórum conheci Pablo de Soto, do Hackitectura, um coletivo espanhol composto por hackers e arquitetos e que trabalham com a interseção de arquitetura, cartografia, tecnologia, redes sociais e ativismo. Assisti uma palestra de Pablo no espaço Ay Carmela sobre cartografia como ativismo político, na qual ele mostrou um pouco da produção do Hackitectura. Eles têm produzido uma série de mapas a respeito da repressão aos imigrantes no estreito de Gibraltar e também mapas abordando a ocupação palestina. Fiquei de cara quando soube que eles usam Pure Data pra produzir os mapas! Quem se interessar em saber mais sobre o assunto, pode baixar o livro que eles publicaram.

Também reencontrei muita gente lá em São Paulo: vários companheiros/as do Estúdio Livre e da MetaReciclagem e alguns amigos/as lá de Aracaju.

Clique nas fotos pra ver em tamanho grande.

Produção de vídeos em dispositivos portáteis

Ontem assisti a uma palestra do Philipe Barcinski e Marco del Fiol sobre as oficinas do Claro Curtas. Eles são diretores de cinema, ultimamente têm trabalhado com educação audiovisual e estão nesse projeto da Claro para difundir a produção de vídeos com celulares e outros dispositivos portáteis. Na palestra, eles falaram bastante sobre a metodologia que estão usando nas oficinas. Seguem minhas anotações:

- A metodologia adotada coloca a prática antes da teoria;
- Fazer os alunos se preocuparem com o enquadramento – motivo nº 1 de vários vídeos caseiros do youtube serem ruim
- Aprendizagem devolutiva – analisar o que é feito pra perceber os erros e o que pode melhorar. “As pessoas fazem muitas fotos e dedicam pouco tempo para analisar o que é feito”.
- Trabalhar o Olhar – a experiência deles foi estimular os alunos a fotografar linhas e curvas e teve um bom resultado!
- As novas mídias proporcionam uma abordagem individual, tática, sem barreiras em relação ao audiovisual

E também mostraram exemplos de vídeos com uma linguagem bem ligada às novas mídias. Veja abaixo os dois que mais gostei:

The Longest Way 1.0 – one year walk/beard grow time lapse from Christoph Rehage on Vimeo.

Soundscapes – by Ace Norton from IE HAGY on Vimeo.

A volta por cima do Pirate Bay

pirate bay

No início de julho, saiu a notícia de que o Pirate Bay seria vendido para uma empresa por 5,5 milhões de euros. Muitos criticaram os membros do PB por isso, alegando que eles aceitaram a intimidação das organizações anti-compartilhamento e estariam pulando fora do barco.

Nos últimos dias, porém, algumas evidências indicam que os membros do Pirate Bay se preocuparam em criar meios para que todo o trabalho realizado por eles não seja simplesmente perdido, mas sim que possa gerar frutos de forma livre e anárquica. Desta forma, o tiro lançado contra o Pirate Bay pode até matar o site, porém já espalhou esporos por todo lado.

Vamos às evidências:

1. Foi publicado no Pirate Bay, de forma anônima, um torrent contendo um backup completo do site, incluindo todos os torrents lá hospedados. Isto permite que cópias do site possam ser criadas livremente. Já existe uma cópia online em http://tracker.btarena.org. Já o torrent com o backup do Pirate Bay está em http://thepiratebay.org/torrent/5053827.

2. Apareceram alguns trackers anônimos, que não exigem registro de usuários nem upload e indexação de torrents. Estes novos trackers são importantes por descentralizar a hospedagem dos arquivos .torrent, dificultando desta forma as ações repressivas por parte da indústria cinematográfica e musical. Em vez de ter um site centralizando a distribuição dos .torrent, qualquer blog ou site pode fazer esta tarefa. O tracker OpenBitTorrent já foi adicionado a todos os torrents hospedados no Pirate Bay.

Para usar os novos trackers, basta adicionar as seguintes URL’s no .torrent.

OpenBitTorrent

http://tracker.openbittorrent.com/announce
udp://tracker.openbittorrent.com:80/announce

PublicBitTorrent

http://tracker.publicbt.com:80/announce
udp://tracker.publicbt.com:80/announce

HiddenTracker

http://z6gw6skubmo2pj43.onion:8080/announce

http://z6gw6skubmo2pj43.tor2web.com:8080/announce

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