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Civic Hacking, Dados Públicos e P2PU

Em março e abril foi realizado o curso de Civic Hacking na Peer 2 Peer University. A P2PU é uma iniciativa que incentiva a criação de grupos de estudos online e funciona assim: alguém propõe ministrar um curso, abre-se o período de inscrições para os estudantes interessados, é realizada a seleção e o curso é realizado com ferramentas online e recursos educacionais abertos. O curso de Civic Hacking, foi um dos três primeiros ministrados em português na P2PU.

Civic hacking é um termo que diz respeito às novas formas de ação na esfera pública interconectada, o que algumas vezes é denominado de ativismo online. São ações estabelecidas por meio da apropriação da tecnologia buscando provocar transformações sociais.

O curso teve duração de seis semanas e compreendeu tanto discussões teóricas a respeito do tema quanto atividades práticas, como a elaboração de uma linha do tempo da Lei Azeredo (e principalmente dos protestos contra esta) e a criação de um mashup com dados públicos. Foi também produzido um tutorial de ferramentas de visualização de dados e de mashup e eu colaborei com uma visualização comparando os gastos de alguns estados brasileiros em algumas pastas de governo.

Já a questão dos dados públicos foi um dos temas que mais motivou os debates teóricos. Informações públicas disponibilizadas na internet devem ser consideradas como uma necessidade básica de qualquer democracia. Apesar de já existirem alguns portais de transparência pública com estes dados, são necessários muitos avanços, seja na quantidade de dados disponíveis como na forma de disponibilização.

Apesar de ter sido muito proveitoso participar do curso, percebi que preciso avançar muito em relação à auto-disciplina, pois esta é fundamental em um processo de aprendizagem informal, sem exigência de frequência, provas e notas.

Quem se interessou por Civic Hacking, pode acessar a página do curso na P2PU e também os arquivos da lista de discussão. Em breve, novas turmas devem ser abertas na P2PU.

Fórum da culturadigital.br, hackitectura e São Paulo

Em meados de novembro estive em São Paulo para participar do Fórum da Cultura Digital Brasileira, um evento com o objetivo de discutir as políticas públicas de cultura digital do Ministério da Cultura. Gostei bastante do resultado do evento: boas apresentações, os/as participantes fizeram boas intervenções e à noite rolaram uns shows legais de alguns artistas que liberam as músicas na internet.

Lá no fórum conheci Pablo de Soto, do Hackitectura, um coletivo espanhol composto por hackers e arquitetos e que trabalham com a interseção de arquitetura, cartografia, tecnologia, redes sociais e ativismo. Assisti uma palestra de Pablo no espaço Ay Carmela sobre cartografia como ativismo político, na qual ele mostrou um pouco da produção do Hackitectura. Eles têm produzido uma série de mapas a respeito da repressão aos imigrantes no estreito de Gibraltar e também mapas abordando a ocupação palestina. Fiquei de cara quando soube que eles usam Pure Data pra produzir os mapas! Quem se interessar em saber mais sobre o assunto, pode baixar o livro que eles publicaram.

Também reencontrei muita gente lá em São Paulo: vários companheiros/as do Estúdio Livre e da MetaReciclagem e alguns amigos/as lá de Aracaju.

Clique nas fotos pra ver em tamanho grande.

A volta por cima do Pirate Bay

pirate bay

No início de julho, saiu a notícia de que o Pirate Bay seria vendido para uma empresa por 5,5 milhões de euros. Muitos criticaram os membros do PB por isso, alegando que eles aceitaram a intimidação das organizações anti-compartilhamento e estariam pulando fora do barco.

Nos últimos dias, porém, algumas evidências indicam que os membros do Pirate Bay se preocuparam em criar meios para que todo o trabalho realizado por eles não seja simplesmente perdido, mas sim que possa gerar frutos de forma livre e anárquica. Desta forma, o tiro lançado contra o Pirate Bay pode até matar o site, porém já espalhou esporos por todo lado.

Vamos às evidências:

1. Foi publicado no Pirate Bay, de forma anônima, um torrent contendo um backup completo do site, incluindo todos os torrents lá hospedados. Isto permite que cópias do site possam ser criadas livremente. Já existe uma cópia online em http://tracker.btarena.org. Já o torrent com o backup do Pirate Bay está em http://thepiratebay.org/torrent/5053827.

2. Apareceram alguns trackers anônimos, que não exigem registro de usuários nem upload e indexação de torrents. Estes novos trackers são importantes por descentralizar a hospedagem dos arquivos .torrent, dificultando desta forma as ações repressivas por parte da indústria cinematográfica e musical. Em vez de ter um site centralizando a distribuição dos .torrent, qualquer blog ou site pode fazer esta tarefa. O tracker OpenBitTorrent já foi adicionado a todos os torrents hospedados no Pirate Bay.

Para usar os novos trackers, basta adicionar as seguintes URL’s no .torrent.

OpenBitTorrent

http://tracker.openbittorrent.com/announce
udp://tracker.openbittorrent.com:80/announce

PublicBitTorrent

http://tracker.publicbt.com:80/announce
udp://tracker.publicbt.com:80/announce

HiddenTracker

http://z6gw6skubmo2pj43.onion:8080/announce

http://z6gw6skubmo2pj43.tor2web.com:8080/announce

Sérgio Amadeu no IV FSL-BA / III ENSL

Gravei a fala de Sérgio Amadeu no painel “Marco Legal da Internet e Ciberativismo”, no IV FSL-BA / III ENSL. Veja o vídeo abaixo:

[bliptv AYGHn32G6SE]

Ou faça o download no formato OGG Theora.

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