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Análise do MUAN

O MUAN é um software livre para animação Stop Motion desenvolvido pelo IMPA/Visgrap em parceria com o Anima Mundi. Instalei o MUAN 8.1 no Slackware 11.0 e fiz alguns testes do software.

Instalação

Na página do MUAN estão disponíveis o código fonte do software e um pacote binário rpm. Primeiro tentei instalar compilando o código fonte, mas não consegui, depois baixei o rpm, converti para tgz com a ferramenta rpm2tgz e instalei com installpkg. A localização dos executáveis após a instalação é um pouco confusa, em vez de /usr/bin/, os executáveis são enviados para o diretório /usr/local/share/muan/. Quando digitei muan no terminal, apareceu a mensagem de comando não existente. Então abri os pacotes de instalação e descobri o local onde os executáveis foram instalados. Seria bom que na próxima versão do MUAN isso fosse corrigido ou que pelo menos um link fosse criado em /usr/bin.

Testes

- Documentação e Interface

interface muan_aeO MUAN é bem simples de usar e a documentação que o acompanha é bastante completa. O MUAN tem duas opções de interface, o que é muito interessante: a muan_ae e a muan_os. A muan_ae traz todos os botões e menus em uma única janela e é mais adequada para os iniciantes. Já a muan_os traz todos os recursos da outra interface dividida em cinco janelas independentes e proporciona ao usuário maior liberdade na personalização da interface.

- Modo memória

Como eu não tinha uma câmera disponível para testar a captura de imagens, primeiro fiz testes na função Memória, trabalhando com imagens que já estavam em meu computador. Senti falta da possibilidade de escolher o número de fotografias a serem exibidas em cada segundo. Apesar de o MUAN apresentar, na janela de preferências, a possibilidade de determinar a duração padrão de cada frame, esta opção não funciona no modo memória. Dessa forma, para modificar o tempo de exibição de cada fotografia é necessário realizar a alteração para cada uma destas, o que torna o trabalho cansativo quando se está trabalhando com um grande número de frames. Além disso, seria interessante que o MUAN também suportasse imagens no formato PNG.

- Modo câmera

O MUAN é compatível com câmeras com interface firewire e com dispositivos video4linux (v4l), como webcam’s e placas de captura analógica. Utilizei uma webcam Go Tec nos testes. A velocidade de captura das imagens é bem rápida, praticamente instantânea (muito melhor do que em alguns softwares que eu já tinha visto rodar em window$). Seria legal que as próximas versões possibilitassem o controle sobre alguns parâmetros da imagem (brilho, contraste, balanço de cores, etc). O MUAN traz a ferramenta Flipar, a qual alterna entre a última foto capturada e a imagem que está sendo recebida pela câmera, e é bastante útil para analisar o movimento presente entre dois frames da animação.

- Exportação

O MUAN pode exportar as animações em MPEG (codec mpeg1) ou em AVI (codec dvvideo), o qual é muito bem suportado pelo Cinelerra (principal software livre para edição de vídeo). A exportação em formato de vídeo era um problema em outros softwares livres para stopmotion e esse problema o MUAN resolveu definitivamente. Além disso, o MUAN pode exportar também a seqüência de imagens em JPEG.

Análise geral

O MUAN é um software que, apesar de já estar num nível muito bom, ainda pode melhorar bastante. O maior problema do MUAN é não possibilitar a alteração da taxa de frames de forma rápida e prática.

Site oficial: http://www.muan.org.br

Animação e Software Livre

Projeto GNUQuando falo de software livre, gosto de enfatizar a questão da liberdade. Software livre não é software gratuito, nem é feito para apenas se economizar dinheiro com licenças ou para ser utilizado em servidores. Além de estar disponível gratuitamente na Internet, de possibilitar que as pessoas e os governos não mais sustentem empresas que lucram com o aprisionamento do conhecimento e de ter conseguido o mérito de estar presente em mais de 70% dos servidores web do mundo, o software livre se caracteriza por quatro liberdades.

A liberdade de se utilizar o programa para qualquer fim. A liberdade de copiar o programa e distribuir cópias para outras pessoas. A liberdade de modificar o programa, para isso é necessário que o código fonte seja disponibilizado. A liberdade de redistribuir as modificações feitas no programa, desde que essas quatro liberdades sejam mantidas.

O fato de ser desenvolvido em comunidade e de o conhecimento ser compartilhado, faz com que os softwares avancem de forma rápida, pois o trabalho de um(a) desenvolvedor(a) começa no ponto em que o/a outro/a parou e, dessa forma, a roda não precisa ser reinventada a cada vez que se faz um software.

Sendo assim, o software livre e sua ideologia tem chegado às mais distintas áreas do conhecimento humano. Hoje temos softwares livres para educação, astronomia, escritório, comércio, Internet e muitas outras áreas. Na área de multimídia, além de softwares livres para produção gráfica e gravação, edição e produção de áudio e vídeo, vemos a eclosão de um movimento de Cultura Livre.

O termo Cultura Livre se refere a músicas, vídeos, filmes, textos, fotografias e demais bens culturais licenciados de forma que permitam a cópia, a difusão e a utilização na criação de outras obras. Atualmente, já temos inúmeros sites voltados para a distribuição de músicas e vídeos livres que poderão, entre outras possibilidades, ser sampleados e utilizados na criação de outras músicas e outros vídeos.

São muito também os softwares livres disponíveis para trabalho multimídia e o desenvolvimento destes tem sido acelerado. Softwares como Gimp, Inkscape, Kino, Cinelerra, Audacity, Ardour e Jack, entre outros, possibilitam a criação de conteúdo de alta qualidade técnica em áudio, vídeo e gráfico.

Elephats dreamPara animação, o principal destaque é o Blender, um software voltado para modelagem e animação 3D e criação de games, que se encontra num estágio de desenvolvimento bastante avançado. Em maio de 2006 foi lançada a animação “Elephants Dream”, fruto do Orange Open Movie Project, um projeto concebido pela Blender Foundation e pelo Netherlands Media Art Institute com o intuito de ajudar a desenvolver as capacidades do Blender. O Orange Open Movie Project disponibiliza o download no site http://orange.blender.org não apenas da animação finalizada, como do making of, de todos os sons utilizados e dos arquivos de projeto da animação, compartilhando, dessa forma, não apenas o produto, mas todo o conhecimento produzido pelo projeto.

Já na parte de animação 2D, os softwares ainda não se encontram tão bem desenvolvidos. No caso de animação stopmotion ou cujos movimentos não precisam ser produzidos pelo computador, os softwares Stopmotion, Gimp e Cinelerra cumprem bem a função.

O Gimp permite animar uma seqüência de imagens e exportar como GIF. Já o Stopmotion, como o nome já diz, é voltado para stopmotion. Sua interface é bem simples e permite exportação em alguns formatos de vídeo. O Cinelerra, por sua vez, até possibilita criação de movimento, mas por não ter sido planejado exclusivamente para isso, torna o trabalho de animação um pouco cansativo.

Temos também o Jahshaka, um software para pós-produção de vídeo que traz recursos de animação. O Jahshaka apesar de ainda estar nas primeiras versões, possibilita a animação através da utilização de camadas sobrepostas e do uso de keyframes de zoom, de rotação e de deslocamento vertical e horizontal.

No entanto, a maior falta que sentimos é de uma alternativa consistente ao flash. Os projetos existentes, como QFlash, UIRA e F4L, ainda estão no início e precisam de mais desenvolvedores/as. Existe um outro software chamado KToon, cujo foco é o trabalho com desenho animado e que, apesar de também estar em estágio inicial, já permite exportação no formato SWF, porém sem interação.

Software livre é sinônimo de conhecimento livre e acessível à toda humanidade. O desenvolvimento de softwares livres para animação – e também de tutoriais – é requisito fundamental para a apropriação dessa arte por mais pessoas e para o surgimento de pólos de produção de animação nos países mais pobres.

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