Criando um mapa com dados importados do OpenStreetMap

Eu mapeei todas as estações de compartilhamento de bicicletas do BikeSalvador e queria fazer um mapa que mostrasse essas estações. Quando havia apenas cinco estações, após mapear no OSM, eu criei um arquivo GeoJSON usando o geojson.io. Porém agora já são 19 estações. Seria um retrabalho enorme mapear as estações no OSM e depois criar o geojson manualmente.

Felizmente conheci o osmfilter, um software para filtrar os dados do OpenStreetMap. Combinando o osmfilter com o geojson.io é possível facilmente extrair alguns dados do OpenStreetMap e apresentar essa informação em um mapa personalizado. Então vamos às instruções de como fazer isso.

O primeiro passo é baixar os dados do OSM. Se você quiser trabalhar com a base de dados de todo o Brasil, você pode baixar dos servidores do GeoFabrik. Como eu necessitava apenas dos dados de uma cidade, utilizei o editor JOSM, fiz o download dos dados e salvei em um arquivo .osm no meu computador.

Download dos dados no JOSM

Agora nós precisamos utilizar o osmfilter. Veja as instruções de instalação na página osmfilter no Wiki do OpenStreetMap. O comando que eu utilizei para filtrar as estações de compartilhamento de bicicletas de Salvador foi:

./osmfilter salvador.osm --keep="amenity=bicycle_rental" > bikesalvador.osm

Você pode combinar mais de um filtro em um único comando. Por exemplo, se você quiser filtrar todos os restaurantes italianos, você poderia utilizar --keep="amenity=restaurant and cuisine=italian".

Aqui entra o geojson.io. Acesse o site, clique no botão Open e importe o arquivo gerado pelo osmfilter.

geojson.io interface

Após isso, você vai ver todos os dados filtrados sobre o mapa, inclusive os metadados. Se parte dos metadados não te interessar, você pode remover uma ou mais colunas.

Você vai precisar de uma conta no GitHub para salvar seu arquivo GeoJSON. Depois de salvar, o GitHub irá te fornecer uma página com o seu GeoJSON e também um código para que você possa incluir o mapa que você criou em uma página web. O mapa gerado pelo geojson.io é esse abaixo:

Quem quiser criar um mapa ainda melhor, recomendo ler esse tutorial de como adicionar uma camada GeoJSON ao Leaflet.

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Avaliação do BikeSalvador

Uma das bicicletas do BikeSalvador

Esse fim de semana usei pela primeira vez o sistema de bicicletas compartilhadas de Salvador, o BikeSalvador. O sistema entrou em funcionamento no final do mês de Setembro e hoje conta com 19 estações em funcionamento. As estações estão espalhadas por boa parte da orla da cidade e pelo centro. No início do próximo ano, o número será de 40 estações.

No bairro da Barra vi muita gente utilizando o BikeSalvador. Em duas vezes que precisei das bicicletas, não havia nenhuma disponível na estação. Segundo um dos jornais locais, muita gente reclama que não há vaga para devolver a bicicleta em alguns horários e estações. Creio que com o aumento do número de estações esses problemas vão ser solucionados, visto que a distância entre as estações será menor e o número de bicicletas maior.

Achei o tempo de utilização gratuito do BikeSalvador longo demais. De segunda a sábado, as viagens de até 45 minutos são gratuitas. Aos domingos, o tempo é de 90 minutos. Acredito que esse tempo longo foi estabelecido para atrair pessoas que querem usar a bicicleta para lazer. Não chega a ser um grande problema, mas pode provocar dificuldade dos usuários encontrarem bicicletas disponíveis.

O cadastro no sistema foi bem fácil e rápido e a liberação da bicicleta também. O que eu acho chato é que precisa de um telefone para liberar a bicicleta (através de uma ligação ou com o aplicativo). Em Londres a liberação é feita na estação com um cartão de crédito.

As bicicletas são bastante leves e confortáveis. O retrovisor tem um tamanho bom, mas a haste é feita com um material muito flexível, o que faz com que ele balance muito. Outra modificação que eu faria seria aumentar a capacidade do cesto da bicicleta.

Acredito que o BikeSalvador está sendo muito importante para para dar mais visibilidade às bicicletas no trânsito da cidade e para difundir a bicicleta como meio de transporte. Há alguns meses ter um sistema desse na Bahia era um sonho improvável pra mim…

Abaixo o mapa do OpenStreetMap com a localização das estações.

Criando um aplicativo móvel HTML5 em menos de 24 horas

Screenshot do Fui pra Final!

Tudo começou quando meu amigo e colega de trabalho César Velame me propôs fazer um aplicativo que calculasse a nota necessária na prova final para um aluno ser aprovado. Como a UFRB utiliza pesos diferentes entre a prova final e a média da disciplina, muita gente tem dificuldade em calcular a nota necessária para ser aprovado. O intuito do aplicativo foi facilitar a vida desses estudantes.

Começamos a fazer na manhã de segunda-feira. Utilizamos jQuery Mobile, que eu já tinha alguma experiência, pois utilizei no Clips.tk. Acabei não me lembrando que na homepage do jQuery Mobile há uma ferramenta que permite gerar a estrutura básica da página HTML. Isso teria nos poupado algum tempo, mas valeu o aprendizado. jQuery Mobile é fantástico e bem fácil de usar!

Aprendemos também um pouco de javascript para calcular a nota necessária na prova final e fazer isso ser exibido na página. No final do dia, disponibilizamos a primeira versão do aplicativo em fuiprafinal.com.br. Na manhã seguinte, corrigimos alguns erros e fizemos um layout mais atraente. Eu também escrevi algumas frases engraçadinhas para o app mostrar de acordo com a situação do estudante!

Ainda estamos melhorando o Fui pra final! e em breve vamos disponibilizar no Marketplace do Firefox OS e testar a geração de aplicativos nativos para Android e outras plataformas através do PhoneGap.

Essa experiência foi muito interessante, pois foi uma maneira divertida e prática de aprender novas ferramentas. O fato de estar disponibilizando algo para as pessoas nos estimula a programar mais e com melhor qualidade. O código fonte do aplicativo está disponível no GitHub.

Ciclovias e cultura de uso da bicicleta

Casal da melhor idade pedalando em Londres

Muita gente coloca a existência de ciclovias como um fator determinante para que as pessoas usem a bicicleta como meio de transporte em uma cidade. No entanto alguns exemplos provam que o uso da bicicleta é muito mais uma questão de cultura do que de infraestrutura urbana. Pedalar em Londres e Barcelona me deram argumentos para defender essa opinião.

Barcelona foi a primeira cidade do mundo a ter um sistema de empréstimo de bicicletas público. Em comparação com Londres, praticamente tudo em Barcelona é mais favorável ao uso da bicicleta. O clima é mais ameno, a cidade é menor e a quantidade de ciclovias é maior. Pedalei bastante na orla e na região central de Barcelona e praticamente não precisei dividir espaço com os carros na rua. Pedalei bem pouco fora de ciclovias. Já na região central de Londres há apenas algumas ciclofaixas e pouquíssimas ciclovias. Os ciclistas podem usar as faixas exclusivas para ônibus, porém os táxis também as utilizam e, no centro da cidade, há mais táxis circulando do que outros carros. Apesar de tudo isso, Londres tem muito mais pessoas pedalando. Já as ruas de Barcelona, mesmo com um sistema de transporte público barato e de excelente qualidade, estão cheias de carros e não há tantos ciclistas quanto a infraestrutura da cidade permite.

Ciclovia em uma das principais avenidas de Barcelona

O que explicaria essas situações completamente opostas? Considero ciclovias e ciclofaixas importantes. É ótimo ter um espaço para pedalar com toda a segurança, porém incentivar a cultura da bicicleta é mais importante do que construir ciclovias. Quanto mais pessoas pedalam, mais pessoas vão querer pedalar. E com mais ciclistas nas ruas, teremos mais visibilidade e seremos mais respeitados pelos motoristas.

Outro fator que considero importante para o grande número de ciclistas em Londres é o pedágio urbano aplicado por lá. Para se usar o carro na zona 1 (a mais central) paga-se £10 por dia, além do valor do estacionamento.

Sistemas de compartilhamento de bicicletas

Uma das estações do Barclays Hire Scheme, o sistema de aluguel de bicicletas de Londres
O serviço público de aluguel de bicicletas de Londres foi meu principal meio de transporte nas 4 semanas que passei lá. O serviço não é nada burocrático, basta colocar o cartão de crédito ou débito num dos totens, pagar a taxa semanal ou diária e usar as bicicletas. Não é necessário nenhum tipo de cadastro. Já em Barcelona não pude usar o serviço de compartilhamento de bicicletas da cidade, chamado de Bicing, pois este é retrito a quem reside na cidade. A solução então foi recorrer a uma das várias empresas que alugam bicicletas para turistas.

Estação do Bicing

O que eu gostei do Bicing foi o design das bicicletas, elas parecem ser bem mais leves e confortáveis do que as bicicletas de Londres…

Strawberry Fair 2013

Parada ciclística da Strawberry Fair 2013

Passei um fim de semana em Cambridge e tive a sorte de estar acontecendo a Strawberry Fair, um festival de arte organizado pelos próprios moradores da cidade. O tema do festival desse ano foi bicicletas, assim a abertura ocorreu com uma parada de bicicletas enfeitadas que circulou por toda a cidade acompanhada por uma banda de samba.

O festival aconteceu em um dos parques da cidade. Havia cerca de cinco palcos com artistas independentes de diversos estilos musicais. Além de música, houve também apresentações de circo, dança, exibição de filmes e feira de roupas, comida e artesanato. Não sei porque o festival leva o nome de “feira de morango”, mas descobri na Wikipédia que ele é realizado desde 1974.

Bicicletas fantasiadas

Tenda acústica da Strawberry Fair

Uma das fantasias mais excêntricas

Um dos shows do festival

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